domingo, abril 18, 2021

A NOSSA FALADURA - MATERIAES



No passado Sábado, 17 de Abril de 2021,a Sociedade dos Amigos do Museu de Francisco Tavares Proença Júnior - SAMFTPJ -  fez a apresentação do Nº 5 (2021) da Revista MATERIAES (IIIª Série), integrada nas comemorações do 111º Aniversário do Museu.

Um dos artigos nela publicados tem por título "A NOSSA FALADURA".

Aí fica, para quem o quiser ler.



A NOSSA FALADURA

 

ANSELMO CUNHA

inserme@gmail.com

VITOR TOSCANO

  

A nascente do artigo que ora se apresenta está no blogue “Baságueda”[1] o qual alberga as lucubrações vertidas por dois curiosos que partilhavam, para além do legado cromossómico[2], o interesse por matérias como a do falar local e regional[3].

O sucesso do homo sapiens e a sua prevalecente superioridade sobre todas as outras espécies na Terra (incluindo os demais humanoides) é fundamentada em várias teses. Uma delas aponta para o avantajado tamanho do nosso cérebro relativamente a todas as espécies, o que terá facilitado a expansão das redes neuronais; outra, avança para essa singularidade humana de nos deslocarmos erectos sustentados apenas nos 2 membros inferiores, que nos aumentou a amplitude da visão e permitiu libertar os braços para manusear ferramentas; o domínio do fogo também é uma exclusividade do ser humano, tão útil ao sapiens para se aquecer como para afugentar predadores; todavia, o factor que mais terá contribuído para alcandorar o homo sapiens ao ser mais poderoso da terra foi, assevera Harari (2017), essa habilidade de comunicar através da linguagem, expressão máxima da “revolução cognitiva”. Por um processo evolutivo ainda não explicado, o homo sapiens desenvolveu uma forma de comunicação única, cuja versatilidade tanto lhe permitia partilhar com os seus pares detalhadamente um perigo eminente, como construir aquilo que Harari chama de “realidades imaginadas”, pilar central da cooperação humana em larga escala. Terá sido essa capacidade de organização e cooperação colectiva potenciada pela linguagem, que nos ajudou a dominar tudo e todos nesta nossa Terra.

Ao longo dos seus 300 mil anos de existência, o homo sapiens demonstrou uma capacidade criativa avassaladora na construção de sistemas linguísticos. Na actualidade, o número de línguas faladas em todo o mundo ultrapassa as 7000[4]. Deverão acrescer, aqui, os desvios às normas-padrão como os dialectos, falares e sotaques que se desenvolveram no seio de cada uma dessas línguas, veículos privilegiados para a construção e preservação das identidades culturais.

Considerando os planos linguístico propriamente dito, e o extra-linguístico, a expressão da diversidade linguística e dialectical observa-se, no primeiro, nos diversos níveis, lexical, fonético, fonológico, morfológico, ou o sintáctico. No plano extra-linguístico, emergem os factores geográficos, históricos, sociais ou culturais.

A abordagem que aqui se faz não tem a pretensão de alinhavar qualquer intromissão mais pormenorizada nos campos da Fonética ou da Etimologia, ou mesmo de outra disciplina da Linguística. Tão pouco se almeja a explicação extra-linguística das unidades lexicais recolhidas.

No Baságueda, optou-se por trabalhar os vocábulos de léxico regional debaixo de uma rubrica denominada “A nossa faladura”, privilegiando o contexto da sua utilização, sem preocupações de deslindar os seus elementos semânticos ou morfológicos. Enquadrados num costume ou tradição, num episódio ou numa história (quase sempre com fundo de verdade), nos quais se envolviam personagens locais (quase sempre reais), intentava-se que o leitor apercebesse o significado (ou significados) desses vocábulos nos contextos em que os populares falantes a eles recorriam. Na sua esmagadora maioria, eles são utilizados sobretudo no quotidiano de uma aldeia inserida no mundo rural, presumivelmente não reconhecidos em ambiente urbano e mesmo em outras regiões rurais do país.

No total, foram listadas 506 unidades lexicais, as quais, numa classificação simplista, e depois de consulta ao dicionário[5], foram agrupadas de acordo com a seguinte tipologia:

1.     Consta no dicionário e com o mesmo significado.
2.     Consta no dicionário mas com significado diferente.
3.     Consta no dicionário mas com ligeira alteração na fonética, fonologia ou grafia.
4.     Expressão, junção.
5.   Não consta no dicionário.

Na primeira categoria foram identificados 183 vocábulos, e inclui: alboroque, aldeagar, barranhão, barroca, cantareira, carapeto, desavezar, dízima, escádea, esterco, fona, furda, luzir, padiola, poldras, sovina, trempes, etc.

Na segunda categoria foram identificados 40 vocábulos, servindo como exemplo: bispo, burra, canalha, galula, muda, russa, tropa, vivo, etc.

A terceira conta com 113 vocábulos, como: abringer/abranger, aidro/adro, inchinho/ancinho, buêr/beber, damonho/demónio, mongal/mangual, taborna/tiborna, etc.

A quarta inclui 29 expressões ou junções, tais como: catanos m’a (t)chapem, mesa d’engonço, morcela da banca, etc.

Na quinta categoria foram classificados todos os vocábulos que não foram encontrados no dicionário, num total de 141.

Neste artigo, apresentam-se apenas as unidades lexicais nesta última categoria. Como referido acima, na esteira da metodologia adoptada nos textos originais, também aqui se opta, na esmagadora maioria dos casos, por, em vez de fornecer os seus significados à laia de glossário, apresentar extractos selecionados desses textos, pretendendo que a partir deles se apreenda o seu significado.

 

FALADURAS

abequilha / aboquilho

O Talha burricos atalhava: "onde vais com tanta pressa...? espera aí um pouco", e para a ti Strudes: "Eh mocita, arranja aí um aboquilho e leva-nos à loja". Não tardava lá vinha o belo casqueiro embrulhado em bragal de primeira em cesto de vime e uma bandeja com uma tora de presunto, uma malga de azeitona retalhada, um queijo cabreiro num prato de esmalte (...)

abobrinho

Se virdes um abobrinho espetai-lhe um pau, que no seu olho está o cornudo, rabudo, de forquilha na mão.

acadeja

Época ou acção de acadejar

acadejar

Quando a semente proveniente das eiras era lançada para os arcazes, era a acadeja. Se te pediam para abrangeres um objecto distante, tipo: "acadeja-me aí o foição!", era ainda a acadeja. Se te pediam para esconderes o sacho no segundo rego da leira do feijão verde era: "Não te esqueças de acadejar o sacho no rego."

acarujar / acarujér

Nas manhãs de Março, já meio quentes, por vezes acarujava, o que era um transtorno para Mné Chquim que tinha que levar o explicando Quim para sua casa e, como não podia abrir a janela por causa do acarujo, que molhava, mais que o sobrado, o caderno de cópia de Quim, o martelão, martelão, martelão, ficava confinado às paredes da casa.

aferranhar / aferranhado

Duma vez me lembro eu que o burrico do João Rela, apesar de preso à ferradura do Ti Zé Julho, enquanto a ti Isabel fazia a troca da semente pela farinha, mandou dois escritos, atirou com as angarelas ao ar, arreganhou os lábios, aferranhou os dentes e atacou a impecável burra de Borges, mostrando toda a sua membral pujança.

alacrário

Uma vez confundi (era eu garoto) a mordedura de uma formiga cavalal com a ferroada de um alacrário e pus toda a gente à minha procura entre o verde das canas.

alcaduque

A Lameira não foi como agora está. Com início no chão do ti Zé Latas, havia um alcaduque (espécie de alvanel coberto, formando um túnel) que a canalha atravessava de gatas à luz de bocados de borracha ateada numa pinha.

amelancar / amelancado

O Tonho amelancou a almotolia que ficou a verter no fundo. Foi-se ao Pantelhão e pediu-lhe: "ó zéi, bota-me lá aqui um pingo no fundo da armetria e desamelanca-ma lá!

anecril

Alecrim

arancum

Hoje à noite vens aqui às guardas da ponte e apanhas uma mão cheia de arancuns pra dentro duma caixa de palitos e quando chegares à sorte da Saramaga, vais ao pé da vossa burra e caças umas quantas pulgas e mete-as também na caixa dos palitos, mas no deixes fugir os arancuns.

arrondear

Eh! Rosa, atão tu precisas de trocos? Ê trago-te aqui vinte mil réis destrocadinhos para ficares mai arrondeada.

artempencha / artimpentcha

Rosa Espeta Figos, de telemóvel na mão, sai-se com esta: "rais parta esta artimpencha que num intendo nada disto. Num incontro aqui o nome da mnha Celestre.

atalamocado / atalamoquédo

Não há povoação onde não haja um atalamocado. Normalmente vítima da mangação popular o atalamouquédo é normalmente brando de costumes.

azenagre

Ligeiramente desnivelado, estava o patamar das seiras donde o oiro de oliva escorria para a tarefa - talha de barro embutida na rocha - com torneira de escape para aliviar o azenagre que ia directamente para o inferno - poço onde era retida a água ruça - antes de ser descarregado para a ribeira que corria contígua.

azorrar

Zé Melgo e Tonho Feduchas viam-no passar todas as tardes e lá comentavam: "ó Zéi, ali o velho agora casadinho de novo ainda azorra mais as botas; a velha dá cabo dele."

barronda

Eh! Nazaréi! nem penses ir a vender a porca hoje ao mercado. À uma já vais tarde, e à outra ela está barronda. Ninguém t'a quer assim.

barruma

Se havia cozinheira de boda afamada em toda a Raia, a Ti Maria Rainha levava a palma. Mulher cheia, de barruma na testa, braços mais que compridos, mãos lhanas e enormes, sapato para aí nº 40, tudo para mais, voz tonitroante, andar calmo, mas constante.

batorel / baturel

Ao lado da porta estava um baturel cuja utilidade alternava entre a facilitação para carga e descarga da burra que andava sempre com as angarelas  ou para servir de trampolim para a ti Esperança se montar, de lado, como pertencia às mulheres, já que a saia não lhes permitia que se escarrapachassem no dorso da albarda.

bazaroco

Sandens mesmo uns bazarocos, já arrebentásteis a tripa em cinco lados. Eu tinha vergonha...E tu oh nalga roxa, num vês que isso que estás a separar é a madre?! Isso num presta para levar enchido! És mesmo um bazaroco!

benicra / bonicra/ bunicra

Não se falavam e Rosa dizia que Albertina ia atrás da burra que "era por mor de apanhar com as bunicras nas ventas", enquanto Albertina se defendia a dizer que ela puxava o burro pela rédea "p'ra ver o seu próprio retrato, quando olhava para trás". Facto era que a burra de Albertina já era entradota na idade e quando ia carregada com as angarelas cheias de esterco para a sorte da Ribeira, a subir o cabeço do Feijão tinha tendência para se abrir de forma altamente sonora, mandando fedorentas bonicras que cheiravam a 50 metros.

bimbigo

Porque ambos são mamíferos e pertencem à mesma espécie, homem e mulher apenas se parecem neste ponto: no bimbigo.

boeira

Burros, machos, vacas e vitelos, rebanhos inteiros, tudo negociavam e pagavam a pronto: sacavam da boieira e de lá retiravam as notas.

buchanha / butchanha / buchana / ptchana

À noite, por este tempo, luminho aceso, panelinha de ferro suspensa das cadeias, lenha concentrada que era preciso poupar, coziam-se umas espigas de couve com uma buchanha, uma farinheira ou uma daquelas deliciosas morcelas batateiras.

cabanir

O Parretcho agarrava em tudo a que deitava mão para atirar ao Espanta Mulas que se pôs a cabanir e nem pensou no que estava a fazer quando, à falta de mais pedras e torrões, arrancou 2 figos de palma da figueira do inferno que havia junto ao barroco do Chornico e os lançou na direcção do gatuno.

cacharro / catcharro

Mnel Belorico era conhecido por engenheiro. Mestre pedreiro por profissão era mais amigo de uns cacharros bem bebidos do que de aparelhar pedra.

caçulho / carçulo

Maria sai-se então com esta: "Num te posso mandar as couves porque inda estão verdes como um caçulho".

cadamonho

Que diabo? Que demónio?

cadamontre

O mesmo que cadamonho.

cafones

Pioneira nesta modalidade arcaica de cooperação transfronteiriça por via do contrabando era a MariPortas. Sim, uma mulher, dir-se-ia mesmo, uma mulherona. Em portunhol precisar-se-ia: uma mulher de CAFONES.

calípio / calipo

Eucalipto

campanito

Foi aí que recordámos, eu e o Domingos, aquelas aventuras de garotos quando os dois, por detrás do cemitério apanhávamos campanitos e com navalha afiada os limpávamos e construíamos bardos e cancelas, fazíamos cravelhas e tirós para carros de bois em miniatura; mais que as imagens de anjos e Reis magos, pastores, ovelhas, montes e lagos de papel de prata de chocolate, mais que tudo, o importante era que vissem os nossos bardos e pequenas estruturas de campanito que estrategicamente colocávamos no presépio, que era de todos, mas muito mais nosso...

canabarro

Entretanto, Nosso Mnel chega ao Cartola ainda a rir-se do desaire de Verniz e dispara: Oh Cartola abrange-me aí um canabarro de branco traçado a ver se paro de me rir por causa do Verniz.

cancelão

Portão, em estrutura tosca habitualmente em madeira, à entrada da exploração agrícola.

canchal /cantchal

De todos, porém, o mais famoso canchal é o penhasco de Monsanto.

caramouço / escaramouço

A massa era transportada do pio para as seiras mediante o uso de grandes gamelas que muitas vezes ajudei a transportar e que iam sempre de caramouço.

carchanola / cartchanola

O mesmo que castanhola.

carchantada / cartchantada

Entrámos pela arada adentro (aquele carro era um arrasa montanhas) e, não tardou, já tínhamos uma lebre e dois coelhos, mortos à cartchantada.

cardomo

Bem longe do cardomo que se apresentava na rua em cada poça ou lapacheiro com a água bem caramelizada, vidrada, cardomada.

carricho / carritcho

A lei do menor esforço volta a imperar: vejam só o que o povo aglutinou a partir de pequerrucho: carritcho.

carvalhoto

Carvalho jovem.

ceote

As malhadeiras que depois apareceram aliviaram um tanto esta azáfama das malhas que começavam com a desejua, às cinco - figos secos e aguardente desmanchada com água e açúcar - a que se seguia a côdea, por volta das oito, o almoço às dez, o jantar ao meio dia, a merenda pelas três e meia, a ceia às sete e o ceote, à despedida, pelas nove.

changoto / tchangoto

Mas afinal o que eu queria aqui trazer era razão do tchangoto, que é assim uma espécie de pau mal asado que normalmente "cai nos cornos" de quem não nos é benquisto.

charrinca / tcharrinca

A ver se não charrinca quando for preciso pensar na vida a sério. E já faltou mais! Há que preparar. Senão depois, enferrujados como estamos, charrincamos por todo o lado e não damos carreira direita.

charronco / tcharronco

Chinchas Figurão que acumulou logo a alcunha de tcharronco por causa do estrilho que fazia. Era verdade: onde ele estava, mais ninguém falava.

chascar / tchascar

Os recos fugiam à deriva e a porca tchascava (batia os dentes, assim à maneira das cegonhas quando vêem o parceiro a chegar com alimento para o ninho).

chó

Bem que gritavam um e outro, "chó burro, chóche burra, chó burro, chóche burra.” Nada!

chóche

O mesmo que chó.

codecido

Mais usado nem é o substantivo - codícia - mas o adjectivo - codicioso - e, mais grave ainda, este adjectivo aplica-se na linguagem tauromáquica e refere-se ao touro que busca tenazmente atingir o cavaleiro ou o matador durante a lide.

codeço

Tudo andava cultivado. Não havia baldios e os matos eram segados, que os fornos e os lares bem os catavam. Agora há codeços, giestas, estevas, tojo, rosmanos, pinhais cheios de caruma, mato e panojo por todo o lado...

cogolho

Chquim Gónito começou a ver as alfaces a murchar e estranhou o facto porque a terra estava sempre bem regada. Desconfiou de lagarta ou ralo, mas a mulher, um dia, ao enregueirar repara que as alfaces não tinham cogolho... As folhas de fora largas e no meio, nada...

cômaro

Um dia, no tempo da lavra, o garoto foi posto à frente da burranca para a conduzir a direito. Como era de esperar, o Arturinho fazia de propósito para andar aos ziguezagues, na esperança de que o pai se zangasse e o mandasse embora para a brincadeira no povo. A dada altura, ia ele rente ao cômaro com o terreno do Batorelhas (...)

corigo (figo) / curiga (figueira)

Variedade de figo.

corrichas / corritchas

Ah tempo! como diria o velho Comandante às corrichas de quem me passeei muitas vezes...

côtche

Interjeição de rejeição.

cruito

O cruito é a parte mais elevada de qualquer objecto: o cruito do monte, do eucalipto, da cabeça, etc..

cúnfia

Ernesto era de poucas falas, cão de vila, vaidoso quanto bastasse, dava pouca cúnfia, mas naquele dia (…)

dabanão / dembanão / indembanão

Foi com ela que naquele dia me deixou clara a evolução até ao dembanão e até ao dabanão. Ora vejamos: Tecla dizia que "indembanão uma pessoa estava viva e, logo, estava morta". Aquilo que parece ser dabanão, mais não é que a aglutinação de "ainda bem não". Daqui derivou para indembanão, depressa para dembanão e de caminho para dabanão.

desamelancar

Correcção do que está amelancado.

desladroar

O certo é que ninguém falava de glifosato e afins: caldeava-se com bordalesa, mondava-se à mão, picava-se e sachava-se, escavachava-se, esborralhava-se, desmamava-se ou desladroava-se.

emaçarocado

(…) cabelo farto e forte, emaçarocado por falta de lavagem conveniente(…)

embisgar / embesguér

Chispava uma pinha com um embisgar do olho direito e o lume acendia-se não sendo preciso meter lenha, já que bastava ela mostrar vontade e o gravato saltava para a fogueira.

emoucar

As figueiras secavam e os figos emoucavam.

encarrapato / incarrapato

O mesmo que encouro / incouro.

encorranchar / incorrantchar

Certo, certo é que a memória não encurrancha (…) traz-mos cá (os sapatos) que eu dou-lhe uma cera de burnir à mistura com cera de abelha e sebo de cabrito velho. Ficam como novos e não encorrantcham.

encorrer / incorrer

Ele é que não esteve pelos ajustes: "Desaparece-me da vista senão apicho-te aqui o fadista que t’incorre até Medelim. "

encouro / incouro

Vista de cima, a debandada aparentemente caótica de meia dúzia de garotos a correr encouros no meio do restolho, era cena para marcar o filme tuga que se fizesse sobre o “Verão de 69”. É que às vezes não havia tempo de agarrar todas as peças de roupa…

encrir / incrir (cordas de)

Cordas de encrir - serviam para segurar a carga ajustada à albarda do burro e que tinham uma forma própria de se colocarem, por forma a permitir que as duas sacas ficassem uma de cada lado e até pudessem sustentar mais uma ou até duas de sobrecarga, em média media cinco braças (ou braçadas), cerca de metro e meio cada uma.

endireituras / indrêturas (ás)

A mula Andorinha estava ensinada e não precisava de muitas instruções para se meter direito à quelha funda, às endireituras da fonte Carvalho, subida ao talefe do salgueirinho, passagem pela capela do Meimão, às endireituras do castanheiro das merendas e depois era sempre a descer até ao Sabugal.

engarranchar / ingarranchar

No tempo da azeitona, dizia o Brigadeiro que era capaz de subir ao cruito das oliveiras, foito, assim mesmo comédado, porque nenhum galho ou parnada de oliva se engarranchava naquela roupa e assim não havia empecilho que estorvasse a subida até ao último degrau da escada.

enregueirar / inregueirar

O burro não comia fora do pasto e nunca roeu nada para além dos cômaros das propriedades de Zé Luís; sabia de cor os caminhos dos terrenos, bastando, tão só, que o enregueirassem.

esbarroteirada

Para tal, tinham que ficar todas de alto (es)caramouço. Muitas vezes, quando a massa era mais esbarroteirada  era necessário um prodígio de equilíbrio, conseguido através de quatro estacas que se interpunham entre as seiras de forma a que o prumo não sofresse alteração significativa, já que, quando do aperto pelo peso das varas, podia esbarrondar para um dos lados e lá se ia tudo perdido.

escadabulhar

Vai daí pus-me a escadabulhar que temática vos traria hoje; entretei-vos e senão entenderdes tudo logo à primeira, escadabulhai até vos aparecer a luz de Mercúrio (Hermes).

escadéu

Alguns desses poleiros serviam para outras funções quando a porta e o escadéu que lhes dava acesso o permitiam.

escarapuçar / escarapuçédo

Palavra que derivou de carapuça, não por via gramatical, mas por via imagética (…) escarapuçar dizia-se essencialmente da situação em que a baraça com que se enrolava um pião. Escarapuçado se dizia ainda, quando, garotos imberbes e de experiência curta, nos era pedido para ogarmos um bom molho de colmo e nos era dado um nagalho... Quem não soubesse como pegar na palha, era certo e sabido que o molho se escarapuçava e era alvo de mangação.

escarrafoucédo / escarrafucédo

Já de si aquele cabelo era desalinhado e depois cortado com a tesoura da costura com a ajuda de uma malga para ficar arredondado, dava aos Chamiços, de face encarnada, um aspecto escarrafoucédo.

esconça / esconso

Lembro-me de me sentar num tropesso de cortiça, perto do lume, junto a uma mesa esconça, coberta por uma toalha de estopa, bordada à mão, e mais encardida que tapete de seira à entrada de lagar de varas.

escoreiro / escoureiro / escórêro

Tanto servia e serve para guardar as azeitonas de conserva, desde que não sejam muitas, pois aí usa-se a talha, como, e principalmente, para conservar o enchido (chouriços/as, morcelas, buchanhas). Acabei por concluir que esta pronúncia meio esquisita era uma adaptação sonora do significante açucareiro.

esfronhador

Vassoura feita com ramos e folhas da gilbardeira, utilizada sobretudo para esfronhar o interior das chaminés.

esfronhar

Ver esfronhador.

esgarnar

Por isso, nada de assomar a poços, que satã pode empurrar-nos, nada de aventuras tontas como subir a árvores, que se pode esgarnar a parnada.

esgravuna

Em suma o ser humano é como um pião esgravuna. Nunca se sabe para que lado vai na roda, depois de ser lançado da baraça.

espanholitos

Era nestes momentos, sobretudo nas noites de invernia, todos juntos ao lume, olhando o crepitar da chama, sempre regrada que a lenha não caía do céu como a chuva, e acompanhando os espanholitos (faúlhas) na sua agonia até se transformarem em fonas.

espapada

Beneficia exactamente da lei do menor esforço: espapada é uma deturpação fonética de sopapada. Experimentai vós mesmos a dizer cada uma das palavras e depressa notareis que espapada é muito mais fácil e até bonito de dizer do que sopapada.

esparnica / espernica

Se repararmos, a distância entre espernear e espernicar não é assim tanta: num agitam-se as pernas, noutro abana-se o bico!

estabardo

Mosca varejeira.

estralibeta

O mesmo que estrelido. Qualquer destes termos se usam de forma indiferenciada, apenas tendo como referente canalha ou pré-púberes. Nunca para adultos.

estrelido

O mesmo que estralibeta.
O Zé Guerrilhas, um dia, apanhou-me naquilo da Troa e arranca: "Quem de vinte cinco tira quantos ficam?" a princípio fiquei atordoado, mas logo após saio-me: ficam 15. "É estralibeta o raio do garoto!"

fanôco

O cachopo nem precisava de se calçar porque botas ainda não tivera e, ainda de olhos fechados, mecânicamente, metia as mãos na pia que estava à porta do palheiro - de inverno aquilo era caramelo -, tirava fanôcos de remela e ia sentar-se ao pé do lume num tropesso de cortiça.

fecá / f'cá

Arranca Nazaré abanando o caldeirinho para meter barulho com o milho e com as bolotas: Fcá!,Fcá! Fcá! . E Julho:" rais a palissem, anda lá bonita, anda nalguda! e a porca: "Ronron,ronronronron", bem, uma orquestra afinada. Fcá,fcá,fcá, nalgudanalgudanalguda, ronc,ronc ronc: experimentai fazer tudo ao mesmo tempo e vereis a beleza da orquestração.

flagato

O mesmo que plagato.

fonisca / funisca

Foi-se conversando da vida e de aventuras dispersas, desde a picadela dum alacrário até uma fo(u)nisca que se desencaminhou para o forro do Furdas e ia pegando fogo à casa.

gacho / gatcho

Tão linear quanto injustificável: um gatcho é uma uva, ou, se preferirmos um cacho.

gadapunho

Mão

galhana / lhana

Três eram as mulheres de pata galhana na terra xêndrica: Pieres, Nacha e Lorpa (…) Se as três calhassem a pisar um alfobre, não nasceria uma única couve…

galisto

Dá-se o nome de galisto a um animal de qualquer espécie que nasce com uma anomalia congénita, impossível de corrigir.

ingrumêncio

Não era raro que a Surreição da barreira viesse até à porta da loja do correio mais para ver o que passava do que para ajudar a montar a carga à cabeça da ti Isabel ou nas angarelas do burro. Eu ajudei-a muitas vezes e ti Surreição: "o ingrumêncio do fedelho tem genica; tem ganas, o embalde".

javarino

Voltemos ao Márinho, um autêntico javarino que só tinha más ideias. Entre outras judiarias, era ele o autor - recentemente revelado - da cena do cão a ganir e com um corgalho de latas presas ao rabo que de quando em vez aparecia no adro à saída da eucaristia dominical.

lambino / lembino / limbino

Quando o Verão apertava, Garriça, pela calada da noite, punha o burrico à carroça onde já tinha dois bidões e rapava a água ao Barata. Era muito lambina.

lambugueirice

Não havia xendro que mais usufruísse da lambugueirice do que estes dois comparsas do cigarrinho matinal.

lapacheiro / lapatchêro

Poça de água no meio do caminho.

malagoto

Pêssego - do castelhano melocoton.

mandongo / mandonguice

Os marmanjos que o nosso bom povo apelida de mandongos são assim como que um cozido destas figuras: batem e fogem. Mamam até que haja leite, escondem-se e riem-se.

maranhão (figo)

Variedade de figo.

marigada

Romã.

matrafusca

Aranhiço percebeu logo a matrafusca e responde: "O meu chapéu está aqui na cabeça... Eu não perdi nenhum chapéu."

melareja / meloreja

Nosso Fernando vai-se até ao lume e aguarda que a fritada da melareja vá para a mesa, roendo umas azeitonas retalhadas. Se nas outras matanças a refeição era uma festa, ali apenas se comia a meloreja, um prato de sopa de couve, mal acondutéda, fígado e seventre, bebia-se vinho por copos que mais pareciam dedais, lá aparecia uma cunca de queijo e "ala milhano" que se faz tarde!.

missegra/ missagra / misságora

Dobradiça, gonzo.

moinice

Mné Gaguela era cunhado de TonhoZéi. Rivalizavam entre si a ver qual fazia menos. A velha Menas, mãe de Mné e sogra de Tonho é que se desunhava na acadeja da lenha e, mesmo já velhinha, ainda ia para os quintos para dar de "mamar" a estes dois.
Só queriam era candonga, andar na moinice, viver na gosmia.

mostezinho / mostozinho

Aplicava-se este termo quando uma besta, vaca, burro, cavalo ou mulo/mula, eram mansinhos. Dizia-se mesmo: é manso como a terra.
Era assim que nos queriam no tempo da outra senhora: mostozinhos.

nhonhas

Era famoso na enxertia, mas passava o dia a queixar-se das costas e se o cobridor - sabeis vós o que é um cobridor? - que normalmente era quem o contratava, não o fosse acelerando ele era o que se podia chamar um verdadeiro nhonhas. Era artista no queixume. A ideia, está bem de ver, era fazer render o serviço.

ógar / ógado

Este termo é deturpado na zona do Pinhal e vem duma espécie de onomatopeia de AGUAR. O povo pouco diz aguar e diz mais AUGAR. Daqui até OGAR é um passo. Noutras localidades é utilizado para significar REGAR, verter água sobre as novidades evitando assim que a geada as queime. Não é esse o valor da palavra para os xendros: vais à vinha dos pinheiros e ceifas a erva que lá há; começas por baixo das oliveiras; oga-me bem os molhos não se escarapucem quando os for carregar. Faz o nagalho curto. Aí quatro braçadas por ogadela chegam."

ôia

Interjeição de espanto.
Xquim do Trem ajustou então a cava da vinha ao S. Marcos. Passadas duas horas já o S. Marcos estava à porta do Trem a pedir meças pelo trabalho!
- Dinheirino pra cá, vá!
- Ôia! O quêi!? - Tu já cavaste a vinha?
- Já sassenhora! Pode lá ir a ver!

pandrica / pindrica / pindrico

Fernando vai-se à mesa, corta um naco de queijo fresco, arrefinfa-lhe um branquinho e apenas limpa o focinho na chamusca, faz o cu e o pindrico se for macho, abre os nervos para o chambaril e torna a esperar que pendurem o porco para se dedicar a abri-lo.

panojo

Labareda em pasto de panojo no fim do Verão (…) Agora há codeços, giestas, estevas, tojo, rosmanos, pinhais cheios de caruma, mato e panojo por todo o lado.

parriba

Para cima.

pexixoto (figo)

Variedade de figo.

plagato

A subida começava num rochedo e os copos associados ao desnível contribuíram para que Poças apanhasse um valente plagato e o armonho rolou pedra abaixo.

plangana

Os dois comeram a lebre, os dois coelhos, um barranhão de tomates e uma plangana de batatas cozidas. Sozinhos.

postela

Saem sempre incólumes e nem uma postela fica para recordar a cicatriz da aldrabice que ontem espetaram ao povo, que, néscio, continua a crer que desta é que é e este é que vai ser.

pucheiro / putchêro

Esfregou a panela de ferro, as trempes, o pucheiro e o caldeiro da vianda com palha de aço, varreu cuidadosamente a cinza da pieira.

quentor

Era sempre preciso pôr uma entretela das grossas entre o ferro e a peça a passar senão deixava em fanicos ou com um lustro que mais parecia o cabelo de lagareiro por alturas do natal: até alumiava! Quando não havia água à mão uma cuspidela indicava o quentor do ferro.

redolha / rodolha

Ritinha Penedo era mesmo o que se podia chamar de redolha: pequenina mas bem feita com tudo no sítio, proporcional ao tamanho. A única coisa que tinha desmesurada era a língua.

repelindo / repelinte

Tonho Jaja Nova passava a semana repelindo que chegasse o dia para poder estar junto da amada.

salamanca

A salamanca é a nossa salamandra, esse anfíbio lento até porque não precisa de ser rápido já que as suas manchas amarelas são sinalética para o resto da bicharada.

sarafana

A alternativa é só uma: tirar toda a roupa até que se encontre a maldita da sarafana ou pragana se vos dá mais jeito, ou seta como também lhe chamam.

saransum / zaranzum

Deixa-te aí estar sentadinho que o teu avô passou pelo curral a deitar a viandita ao bácoro e já te traz a prenda"; o garoto: "vomecê sabe o que é?" "é um zaranzum atado numa guita; zune como a puta que o pariu; zune mai ca um enxame de abril!"

sarapoto

Tchinchas Figurão que não estava treinado a atirar em movimento errou os dois tiros. Levou rodas de sarapoto, azelha, ceguinho e afins; Alma de Sino auto vangloriava-se: sois todos uns sarapotos; se num fosse cá o Mnel comíeis mas era pão com molho.

taloca

Pequeno buraco; "taloca do dente".

taloubena

A luz era a do lume. "Traz a francela", dizia o velho. "É preciso dizer-te todas as manhãs a mesma coisa: levantas-te, lavas-te, agarras o caldeiro, ordenhas as cabras, pões a francela a jeito, buscas o achincho, chegas o sal, pões mais colmo na tábua e só depois é que te sentas. Pareces um Taloubena."

tanoco

À hora de almoço lá saíam das bandoleiras o corno com as azeitonas, o tanoco de pão centeio ou de mistura, uma tora de toucinho e uma cunca de queijo.

tcheberra

Chiba, cabrita jovem.

 O mesmo que fecá  (porco).

torgalho

Sabe tralha, o garoto, é mesmo um torgalho, tem graça!

tramonco

Estávamos nós nesta aula de perfeccionismo linguístico quando pai e filho Camião passam em frente da loja de Vinagre: "Olha, ali vão dois tramoncos!" Chquim ouviu e vira-se: "Tramonco era teu pai quando te fez as orelhas".

trampasso

Chorelas apanhava grandes trampassos devido à sola escorregadia dos sapatos.

trapola / trepola

Iam para as portelas a cortar as trepolas das oliveiras.

travisco / travisca

Albertina acabava quando já toda a gente ia na oração seguinte, Rosa estava completamente desdentada, Albertina cortava um travisco à dentada, Rosa teve um filho, Albertina uma filha, Rosa tinha um burro, Albertina uma burra, Rosa puxava-o sempre pela rédea, Milhana ia sempre atrás, às vezes com um baraço preso à rabiça da albarda para acompanhar a besta.

veredo

A Rouca tratava dos cardos como se fossem bebés: estrume da burrica, bem fermentado, ao toro, monda manual de corriol ou língua de passarinho, bolsa de pastor, veredo ou outra erva maligna. Ali só havia lugar para o cardo.

xáxaro / tchátcharo

E as garotas? Também elas brincavam. Raramente os dois sexos se juntavam no recreio da escola, mas apesar do muro divisório, fácil era observá-las a jogar ao descanso (macaca) à roda com um lenço, à rolha, ao ringue, à apanhada, à tchina ou tchátcharo... Era neste jogo que eu mais as admirava. As tchinas eram cinco pedrinhas (seixos) bem polidas, apanhadas em leito de ribeira, às vezes em buracos de calhaus rolados, e depois exigia-se toda uma técnica manual quer com a palma quer com a cota da mão.

xica

Ouviram-se as falas do costume na circunstância: banca, carchanolas, chambaril, faceira, morcela da banca, passarinha, seventre, sovina de esteva, xica... (unhas dos porcos; praxe: colocar uma no bolso de outro).

 

 CONCLUSÃO

O nosso léxico e sonoridade vocal é o do meio onde somos criados, não nos sendo difícil identificar um beirão, um minhoto, um alentejano ou um algarvio, um madeirense ou um açoriano. Depois, aprendemos a falar por imitação e o falar local ou regional dissemina-se e consolida-se. Tal como nós começamos a falar sem conhecermos as regras da gramática, também o linguajar tradicional, por vezes, bem circunscrito e regional, pratica alguns fenómenos de que nem sequer tem consciência, quanto mais conhecimento.

As pesquisas realizadas parecem apontar para a falta de estudos sobre os localismos ou regionalismos linguísticos em Portugal que permitam mapear a sua dispersão geográfica e reconhecer a exclusividade de um determinado vocábulo numa determinada região. Daí que não se possa afirmar com segurança que as unidades lexicais recolhidas constituam localismos ou regionalismos da região mais ampla considerada (a raia central).

Parece relativamente consensual que se deve a Leite de Vasconcelos o trabalho pioneiro de sistematizar os dialectos e falares em Portugal[6]. São igualmente apontados como importantes referências, os trabalhos desenvolvidos por Paiva Boléo (1942, 1960 e 1962[7]), Barros (2010), bem como algumas obras de carácter lexicográfico, como sejam o Atlas Linguístico da Península Ibérica (ALPI), ou o Atlas Linguístico-Etnográfico de Portugal e da Galiza (ALEPG).

No prefácio do livro (Toscano, Cunha, 2018) que incluia alguns dos textos publicados no blogue Baságueda, é dito: “Às vezes o lápis discorreu rente ao chão, outras, empinou-se até à erudição, desconstruindo e reconstruindo um mundo que subsistindo apenas na memória de quem o viveu, constitui elemento inapagável da nossa identidade colectiva. Neste nosso tempo de tendências uniformizadoras, é imperioso afirmar a nossa diferença, sob pena de passarmos a indiferenciados, identitária e culturalmente. Daí à irrelevância é um pequeno passo.”

A diversidade linguística ao nível local ou regional constitui uma plataforma de afirmação identitária que urge preservar. Os danos inerentes ao seu desaparecimento são irreparáveis.  Importa combater tal ameaça.

 

 

BIBLIOGRAFIA

 

Atlas Linguístico da Peninsula Ibérica (ALPI) - http://alpi.csic.es/pt-pt

Atlas Linguístico-Etnográfico de Portugal e da Galiza (ALEPG) - https://www.frontespo.org/pt

BARROS, Vitor Fernando (2010), Dicionário de Falares das Beiras, Âncora Editora/Edições Colibri

BOLÉO, Manuel de Paiva (1960) “O estudo dos falares portugueses antigos e modernos e sua contribuição para a história da língua”, Actas do III Colóquio Internacional de Estudos Luso-Brasileiros, 2, Lisboa, 1960, pp. 418-428;

BOLÉO, Manuel de Paiva, SILVA, Maria Helena Santos (1962), "O Mapa dos Dialectos e Falares de Portugal Continental", Boletim de Filologia XX, pp. 85-112

HARARI, Y.N. (2017) Homo Sapiens – uma breve história da humanidade, Elsinore.

TOSCANO, Vitor, CUNHA, Anselmo (2018), Baságueda.



[1] O blogue Baságueda foi criado em Abril de 2005 e encontra-se alojado em “https://basagueda.blogspot.com/”.

[2] O Vitor Toscano, irmão mais velho, deixou-nos em 15 de Novembro de 2020. O presente artigo aproveita alguns dos escritos que ele foi publicando no Baságueda entre 2005 e 2019, razão que justifica que ele apareça como co-autor.

[3] Por regional, toma-se o território que inclui, grosso modo e sobretudo, os concelhos da raia central, ainda que o espaço e comunidade de referência tenha sido, quase sempre, a da aldeia de origem dos autores: Aldeia do Bispo, concelho de Penamacor.

3 comentários:

pratitamem disse...

Gostei da apresentação!
Tenho relativamente à apresentação, não assumido o antropónimo, mas prevenindo, assumo discordância. Quero dizer, não discordando, que os assuntos mundanos, devem relevar em substancia e essa é apenas a conclusão de um perdoem-me, miserável leigo! É a mem´ria o esse sentir à posterior, de quem era admirador e sente falta nos eu, faz querer e sempre tentar não desiludir...
Fico feliz mas insufficiente!!!

Pratitamem disse...

Esse insufficinte, latino, ou esse insuficiente, de quem latim estudou. O meu caso! Sem esgotar a modéstia, revelo no caso, parco elogio! soa quase a obrigação!
Fosse eu o emérito, preferia, não ser alvo de tal condescend~encia memorial! Não sendo advogado de ninguém, devo dizer, que pra tal mérito, bem melhor, deveria ser o autor do mérito. Conversa assim, tão redonda, mai vale dizer, a verdade! NÃO TEMOS CAPACIDADE, POIS NÃO POSSUÍMOS a QUALIDADE PRA FAZER COMENTÁRIO, a MESTRES ASSIM Tão MAIORES!
Minha opinião...

pratitamnem disse...

Na hora certa, fazemos falta cá em baixo!
Vítor, Ajuda isto a ficar melhor, ajuda o teu irmão a aJUDAR, O TEU Sonho..ou seja fazer com que D.Sancho, não tenha vindo em vão, também vamos finar como sabias melhor!. Mas ajuda se puderes, porque estes que aqui estamos, parecemos agora, muito menos! Sendo esse o desígnio, Povoar, crianças a nascer, boa sorte para esta terra não morrer, então só assim, posso sentir ANSELMO CUNHA, Quero que ele seja o Presidente da Vila de Penamacor, e de todas as Aldeias que lhe dão guarida!
Gente, Temos, necessitamos de gente! Novo D.Sancho, Anselmo Cunha! Li no livro do encantamento, como sou AMIGO dessa estória, Vou assegurar, se não cumprir, acaba o mundo!