domingo, março 27, 2016

SENHORA DO INCENSO


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Em 1997, o Jornal de Notícias distribuía uma colecção de 6 cd’s com recolhas musicais de todas as províncias e ilhas, numa antologia chamada “Portugal, raízes musicais”, sob a coordenação de José Alberto Sardinha, um investigador de música tradicional portuguesa que, na esteira do pioneiro Michel Giacometti, percorreu as aldeias do país a registar as tradições musicais mais genuínas.

Um desses cd’s é dedicado à música tradicional da Beira Baixa e Beira Transmontana. A faixa nº 7 foi gravada em Aldeia do Bispo, na Lagariça.

Não se sabe bem como é que as coisas aconteceram, mas há-de ter sido algo parecido com isto: José Alberto e o seu técnico arribam à terra dos xendros, vão à casa do pároco e perguntam-lhe o que existe de genuíno e autêntico naquela terra em matéria de música tradicional. O Pe Pinto ter-se-á lembrado, imediatamente, da tocadora mor de adufe que havia na aldeia: a Ti Júlia Toca.

Estabelecido o contacto, provavelmente ali no cantinho dos tocos entre o Cavacal e o ribeiro cimeiro, onde a Ti Júlia morava, não deve ter sido difícil ao investigador aperceber-se rapidamente que estava perante uma jóia. Bastou convencer a Ti Julia que se encarregou de convocar um grupo de vozes afinadas. Compareceram a Nazaré Maregas, a Emília Estopa, a Natália Simão e a Clodete Menas que ofereceu o seu sótão para a gravação.

Ouvidas algumas cantigas do cancioneiro local, é escolhida a “Senhora do Incenso”.

Aí fica a gravação. Para quem conhece, será muito fácil reconhecer as vozes e o bater certo do adufe nas mãos da Ti Júlia Toca.