Baságueda

Qu'a raio de porra é baságueda? Se me voltas a chamar isso, levas c'um changoto no costolado.

xendro(s) a buer(em) da fonte do Saber

Sexta-feira, Fevereiro 05, 2010

A NOSSA FALADURA - CXLIX - CAMPANITO

As marcas da antropogénese, ou seja, as progressivas mudanças que o pitecantropo sofreu, desde o aumento do perímetro cefálico, à oponência do polegar, passando pela famosa dialéctica de LEROI GOURHAN, que explicava a evolução a partir do momento em que o homem primitivo passou o peso do corpo para os pés e, consequentemente, a locomoção, que possibilitou a libertação da mão e a consequente feitura de instrumentos, o que depressa se manifestou numa maior e melhor capacidade de pensar e logo uma acção sobre a natureza mais conseguida, originando assim a cultura que ao longo dos tempos também foi evoluindo.
Convém assinalar que a cultura é algo de substantivo, ao contrário da civilização que é acessória e, portanto, adjectiva. Em rigor deve dizer-se que uma pessoa é culta e não que ela tem cultura. Já a civilização, essa é dispensável. Na verdade, não se pondo em causa a sua utilidade e simplicidade em termos tecnológicos e não só, a civilização não é necessária para a sobrevivência humana. Esta conclusão encontra eco na circunstância de que o importante é saber adaptar-se ao meio que o rodeia que permite ao homem ter resistido até hoje e não o facto de ter televisão e telemóvel...
O que é natural é naturalmente bom e o que é transformado pode ou não ser .
Todos sabemos que sempre se comeu queijo e chouriço e azeitonas e presunto e tantas outras iguarias, que nunca precisaram de condições exigentes que, hoje, técnicos, em regra insuficientemente preparados e esquecidos das suas origens, avaliam, exigem e impõem.
Todos os estudos, mesmo os encomendados pelas entidade superiores, apontam o caminho a seguir pelos portugueses: ater-se à sua originalidade produtiva tradicional e não submeter-se aos ditames europeus que uniformizam gostos e assim condicionam paladares.
Ainda podemos saborear a bela sardinha e o chicharro ao natural, mas, se calhar por pouco tempo e temos que passar a deglutir uns insípidos enlatados, em conservantes uniformes e universais, em vez de podermos conviver ao sabor do que a natureza nos proporciona, como aliás os nossos antanhos faziam e não foi por aí que morreram.
Lembro-me bem de dois caminhantes incansáveis que todas as quintas feiras iam da Aldeia dos xendros até á cidade da Covilhã com um macho carregado de ovos que compravam durante a semana e que para eles se reduzia de Sábado a Quarta: Joaquim Catrino e José Planeta. Catrino era longilíneo, chapéu clássico, sapato reluzente, amigo do tinto, andar elegante, corneta sonora e angarelas em ferro feitas pelo ti David, ferreiro que era no beco da Ribeira, angarelas em vime entançado... já Planeta era mais atarracado, chapéu redondo a imitar o de coco, jaqueta à meia haste e colete sempre com relógio cortebert, preso por corrente de prata com presilha dupla, à cautela, para não lhe cair, angarelas em pau e cesto de castanho. Não usava aparelho sonoro como Catrino para se anunciar, antes bradava com a sua voz, mais conhecida que os sustos do Tonho de Aldeia: Quem vende ovos? Quem vende ovos? Lá desciam as escadas aquelas que dos ovos faziam o pouco dinheiro com que geriam o governo da casa, já que a jorna dos respectivos, nem sempre lhes vinha parar à mão...
Encontrei o filho de Catrino não há muito num casamento a que ambos fomos em Alcobaça. Estava novo o Domingos Catrino, meio irmão do meu tio e pai do noivo Manuel Joaquim Catrino, já aposentado da P.S. P.. Há quanto tempo os não via...
Foi aí que recordámos, eu e o Domingos, aquelas aventuras de garotos quando os dois, por detrás do cemitério apanhávamos campanitos e com navalha afiada os limpávamos e construíamos bardos e cancelas, fazíamos cravelhas e tirós para carros de bois em miniatura, hastes para bandeiras que pregávamos com carapetos de silva e e até casebres rústicos e choças de pastor, tudo para embelezarmos o presépio de Natal, que ele, como sacristão e eu como acólito, todos os anos fazíamos, do lado da Epístola, na Igreja Matriz. Pedia meças aquele presépio com os nossos artefactos de campanito e mais uma gruta em cortiça e mantas de musgo que mais ninguém era capaz de tirar como nós da Serra da D. Maria ali para os lados do canchal, por detrás do depósito da àgua, ao alto de Aldeia...
Bons tempos, outros valores, outras tradições, outras culturas, outros entreténs. Era assim a vida de catraio novo. Se queria brincar tinha que fazer o brinquedo: não havia padrinho que oferecesse ou avô que cedesse ao pedido, menos ainda pais que pudessem satisfazer tais pedidos. Como eram valiosos aqueles brinquedos ! não os estragávamos, não! eram religiosamente guardados e para o outro ano aumentava-se a variedade. Orgulhosos, tal como Apeles, escutávamos vaidosos e embevecidos os pareceres dos que apreciavam o nosso presépio. Mais que as imagens de anjos e Reis magos, pastores, ovelhas, montes e lagos de papel de prata de chocolate, mais que tudo, o importante era que vissem os nossos bardos e pequenas estruturas de campanito que estrategicamente colocávamos no presépio, que era de todos, mas muito mais nosso...
Mais uma vez a habilidade manual desafiava a critividade da imaginação criadora e o pensamento divergente proporcionava novas soluções cada ano nunca se repetindo as imagens na totalidade. Sempre produzíamos coisas novas. Leroi Gourhan tinha razão.

É caso para dizer: ah CATRINO!

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Segunda-feira, Janeiro 11, 2010

A NOSSA FALADURA - CXLVIII - LIMBINO/LEMBINO/LAMBINO

A água, a par da saúde e do trabalho com justa remuneração são, porventura, os valores maiores da sociedade contemporânea. Ao contrário do que habitualmente se defende os gostos e os valores são para serem discutidos e a prova é que nem todos gostam do mesmo nem todos hierarquizam da mesma forma os valores. por isso se discutem. Ainda assim ouso deixar estes que aqui vos apresentei como estando no topo da minha hierarquia.
A História ensina-nos que os grandes aglomerados populacionais começaram a aparecer junto aos grandes rios e/ou lagos, com terras férteis envolventes, no cimo de montes por mor da defesa natural e também, sobretudo depois dos grandes movimentos comunais com o aparecimento da nova classe laica - os burgueses - , nas encruzilhadas das grandes vias.
No caso vertente interessam-nos os rios e a sua importância decisiva para as comunidades humanas. A água é indispensável à vida e quanto mais perto e em maior abundância ela for , tanto melhor. É também fácil de ver que as terras mais férteis são as de aluvião, com aragem fácil, clima mais ameno, mais planas, enfim mais ricas em tudo.
A aldeia dos xendros pode servir de exemplo: embora mal nascida - devia ter nascido a partir do dr Ângelo para cima - faz o aproveitamento pleno do vale da ribeira com hortas pequenas de cultivo intensíssimo e é um regalo ver tudo bem tratado desde a Saramaga até quase às Águas quando confronta com a Casa Megre. Grande parte da alimentação da Aldeia é colhida nessas terras das duas margens da ribeira. A grande razão é porque há água e os poços nem são muito fundos e quase pegam uns com os outros. Todos regam e chega para todos.
Já não é tanto assim quando subimos e observamos os terrenos da serra. Bons tempos outros em que eu, velho Jonja e às vezes outros malinoos íamos caminho da serra, às endireituras da tapada do Pirolas e do Elias, do Alguitarra, do Barata e da Garriça, a armar costis às felosas e taralhões, piscos e rabitas, melros e cotovias e o que mais caísse. Crime, mas era assim.
A Garriça tinha uma língua que nem um braço e se mordesse, o veneno da mordidela deixaria muito mal o vitimado... Sempre atenta, baixinha, olho vivo e sagaz, ouvidos com antenas parabólicas, nunca deixava cair uma conversa e topava tudo. Não sei mesmo se dormia... Apesar de viver afastada do casario, numa casa granítica, mesmo ao lado de um eucaliptal basto e perto dos terrenos onde cultivava tudo temporão, andava sempre bem informada e espalhava novas ao vento. Rivalizava com Zagaia e Galfarra a apresentar os primeiros cebolos e as primeiras couves e tinha alface todo o ano, coisa rara ao tempo e que lhe rendia bom dinheiro porque a vendia a bom preço para os casamentos caseiros.
Segurava azeite nas mãos e até o pobre marido, o Caetano, andava sempre nas lonas... Era muito limbina.
A extrema da sua propriedade pegava com Barata e tinham um poço de meias. Aos Domingos não era de ninguém e Garriça tirava água às Segundas, Quartas e Sextas e Barata às Terças, Quintas e Sábados. Na semana seguinte trocavam os dias.
Quando o Verão apertava Garriça, pela calada da noite, punha o burrico à carroça onde já tinha dois bidões e rapava a água ao Barata. Era muito lambina.
A horta da Garriça verdejava e a de Barata, sempre estrumada, pouco dava, que a água era à ração.
Um dia Barata tinha-se ficado pela aldeia e quando ia caminho da tapada ouve o chiar da carroça. A lua ia alta e alumiava bem, escondeu-se e viu o serviço da Garriça, toda lembina. Deixou-a encher os bidons, esperou que viesse para casa, aparelhou a junta e vem com o seu carro carregado com um tanque de cimianto que lhe tinha trazido o filho João, que era bombeiro, com duas bombas de borracha, e dois baldes grandes. Faz vácuo com as borrachas e saca a água toda à Garriça dos bidons para o tanque. Como se não fosse nada com ele, regressa a casa. Cedo, tirava a água do pocinho de meias e vê chegar a Garriça com o seu burranco e carroça.
Quando esta, de repente, se dá conta que não tem água nos bidons começa a praguejar furibunda, numa linguagem intraduzível.
Barata, malandro quanto baste e feito mula: "Karraio de conversa é essa? uma mulher com esse palavreado?!" e a Garriça:" rouberam-me a auga que traguia aqui nos bidons e que tinha apanhado no poço de baixo...; E o Barata:« está baixo, está, o ladrão do poço! Há gente sem vergonha nenhuma...» e sai-se com esta para a Garriça: « Eh ti Maria, deixe-se disso, amanhã já aqui tem mais água» "Cabrões tireram-me a água aqui dos bidões....!»...
O Barata malino:« Vá lá que não lhe roubaram os bidões... sempre lhe deixaram o vasilhão... foram bons rapazes...!»
E remata: « Sabe como é que se apanha uma cabra mocha por um corno»?
A Garriça lampeira: " a cabra mocha num tem cornos, mê basbaque!"
E o Barata:« atão alimpe-se como me alimpou a água a noite passada: uma cabra mocha pega-se por um corno, mandando lá um».
A Garriça andou uma semana a pão trigo e água, a treinar-se para ir a pé à sra de Fátima a pedir água para os bidons. O Barata ouvia-se na Bemposta a rir.

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Terça-feira, Dezembro 22, 2009

A NOSSA FALADURA - CXLVII - ESCARAMOUÇO

O natural é o caos e não a ordem. Só há bem pouco tempo esta asserção começou a fazer sentido. Na verdade, na sua incontida ânsia de tudo prever e controlar, o ser humano esforçou-se por ter um conhecimento semelhante ao divino. O próprio Galileu disse que "quando temos dos fenómenos da natureza um conhecimento matemático, o nosso conhecimento desse fenómeno iguala o conhecimento divino". Estabeleceu no entanto diferença marcante: por muitos fenómenos que se conheçam, todos eles não passam de uma insignificância, face ao que há para conhecer e que Deus conhece desde todo o sempre e sem precisar de fazer cálculos.
À medida que a tecnologia foi avançando, as certezas de antanho foram sendo abaladas, caíu-se num indeterminismo ou incerteza em que a ciência gravita hoje refugiando-se num probabilismo que tudo justifica, mesmo os erros. Finalmente o erro ganhou importância e o seu aparecimento frequente não esmorece a investigação, antes a espevita e incendeia. O probável é o crível e o crível não é certo. A certeza é inimiga da verdade como o óptimo é inimigo do bom.
Foi o contributo dos novos pensadores das ciências sociais que chamou a atenção para este fenómeno e, claro, como quem faz ciência é o homem e este continua a ser"ESSE DESCONHECIDO", como bem disse Alexis Carrell, então, fácil é deduzir que se ele nem a si se conhece não lhe será possível conhecer o resto do Universo. Refugia-se então na probabilidade, não porque goste, mas devido ao reconhecimento das suas incompetências mentais e intelectuais, tecnológicas,... . Volvamos a Galileu: «o que para o homem é de dificílima inteligibilidade é para a natureza de facílima execução.»
Esta aceitação do indeterminismo não é pacífica porque a ciência, ela mesma, para progredir, tem que partir do princípio de que aquilo que sabe e em que assenta o seu saber, é seguro e lhe permite projectar para o futuro. Nós, vítimas desse saber, vamos usufruindo o que nos vão pondo à disposição. Facto é que, aos poucos a tal ordem científica com o seu método de rigor põe ao nosso serviço um sem número de benesses que nos são muito úteis se as soubermos usar bem. Sirva de exemplo o telemóvel, ou o automóvel ou um simples frigorífico...,vacinas, que sei eu!?
É nesta crença de que as coisas acontecerão como se previa que o progresso vai acontecendo e, seja de erro em erro, ou de verdade em verdade, do que não restam dúvidas é que a humanidade vai cada vez tendo mais comodidades e não vem aqui ao caso discutir se isso é vantajoso ou se é prejudicial.
Estamos prépreparados para a ordem, o método, o seguidismo. Basta experimentar dizer o alfabeto em sentido inverso e logo vemos quão vantajoso é termos connosco a ordem clássica das letras.
Vem isto tudo ao caso por causa do nosso termo de hoje: escaramouço.
A malta do meu tempo vivia na angústia permanente de ir à tropa e ser destacado para uma qualquer das ex-províncias. Se havia alguns ofícios que na tropa eram um luxo: padeiros, por ex, outros havia que eram uma convivência com o perigo e esses eram a grande maioria.
Tira Linhas foi como enfermeiro para Moçambique. Passava a maior parte do tempo no Hospital militar já que o seu trabalho era conceituado, apreciado e respeitado.
Um dia, porém, contou-me ele numa daquelas faenas gastronómicas, desta vez no quintal do Isidorico (já lá está...), em que eu fazia jus à fama de artista na culinária, foi convocado para ir num helicóptero socorrer alguns camaradas que tinham sido alvo de um emboscada.
Tira Linhas equipa-se e depressa estava no ar e passado pouco tempo já estava no local do acidente. O médico que o acompanhava logo ia decidindo o que fazer com cada um daqueles pobres soldados ali amontoados num recanto, enquanto muitos tiros se ouviam, resultado da perseguição entretanto movida aos "turras". O Helicóptero não parava, num vai vem contínuo a levar feridos para o hospital de campanha... Tira-Linhas e o médico continuavam a volta , enquanto uma máquina abria uma vala para enterrar os mortos sem nome num escaramouço de cadáveres em vala comum.
Decidiram confirmar os mortos para os enterrarem e não ficarem vestígios.
Vários outros soldados e um unimog seguiam-nos a ele e ao médico e conforme o médico dizia: "este está morto", logo dois ou três soldados o atiravam sem qualquer zelo para cima do unimog e assim se iam amontoando num escaramouço entrópico. Como calhasse é que ficavam... Numa das decisões do médico, porém, o "este está morto" teve resposta: «não tá siô, só tá muito ferido". Logo um dos soldados:´«oh preto dum cabrão sabes mai có médico? ( perdoe-se-me a violência da linguagem, mas foi assim mesmo) se ele diz que tás morto, tás morto e mainada» e já ia a pegar-lhe para o atirar para cima dos outros. Aí Tira Linhas, intervém: "que é lá isso?" Ajoelhou-se junto do ferido constatou da gravidade dos ferimentos e foi então que mostrou todas as suas competências, deixando todos de boca aberta. Era assim Tira Linhas.

Ementa daquela noite: Polvo à Algarvia que Tira Linhas tinha trazido de Lisboa

1- Coza-se o polvo - quanto maior e rosa claro for, tanto melhor -sem sal e apenas com uma cebola grande em tacho com pouca água - o polvo solta quase a água para a sua cozedura -; Demora cerca de 40 a 50 min de fervura viva.

2-Tire-se para um crivo e deixe-se arrefecer; reserve-se a água da cozedura

3- Miguem-se às rodelas umas boas 4 cebolas para um tacho largo com o azeite considerado necessário: puxem-se bem até alourarem tendo o cuidado de não deixar queimar,

4- Juntem-se tomate sem pele e uma camada de batatas também às rodelas largas, uma primeira camada de polvo e um bom ramo de salsa espalhado por cima a toda a largura do tacho

5- Acamem-se alternadamente tomate batatas e polvo, de forma a que acabe com batatas.

5.1 - Se houver, junte-se miolo de camarão

6- Reduza-s o lume e deixe-se apurar

7- Quando as batatas estiverem quase cozidas (engroladas) cortem-se dois pimentos às rodelas , rectifiquem-se temperos: sal, picante ... deite-se um copo de vinho branco e abafe-se.

8- Deixe-se acabar de apurar

9- Pique-se um ramo de coentros que se atirará por cima quando estiver a ser servido

10 - Come-se com prazer e com algumas bocas à mistura.


BOAS FESTAS: O MELHOR DOS NATAIS PARA TODOS OS BASAGUEDEIROS!

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Quarta-feira, Dezembro 09, 2009

A NOSSA FALADURA - CXLVI - ABOQUILHA ou Abequilha

O velho Talha Burricos era fino como um alho... Eu que o diga. Nunca queria o gás depois das seis. Ia sempre pelo lado de trás a bater à porta, deixava a bilha e depois ia à frente e bradava: "Eh! cachopo, fica-te ali a garrafa do gás, amanhein de manhein leva-me uma." Já sabíamos o que era de manhein. E o pior era que me calhava sempre a mim.... Era a vida.
Quem fornecia quer o vinho para a missa quer o pão ázimo para a hóstia consagrada era a Casa Campos. que, não sendo por aí além, nenhum potentado, tinha a vantagem da ser governada por três irmãs, qual delas a mais religiosa e a mais poupada. Assim se manteve até que a velha da gadanha as foi ceifando e pronto: acabou-se o vinho branco arinto exclusivo para o sr prior e o pão lascado para o corpo de deus. Posso dizer-vos que quer um quer outro eram deliciosos. .. Por altura da desobriga, até porque na aldeia, naquele tempo, ainda havia xendro com fartura, era necessário fazer muita hóstia... Por ali vinham o padre Lobo das Águas, o padre Robalo das Aranhas, o padre Tarcísio do Pedrógão, o padre Manel de Penamacor, o padre Fatela da Meimoa, o padre Baptista da Benquerença, o padre Agostinho, já sem paróquia, o padre Carreto, também já jubilado,..., era mesmo uma confraria, e todos confessavam a rapaziada de aldeia que se perfilava a cada um dos confessionários. De vez em quando os padres faziam intervalo, por via das regras e da bucha que nisso, primeiro o padre Zé Pedro e depois o padre Pinto não se poupavam: era à tripa forra.
Sempre vos digo que os petiscos eram de lamber ou não fosse eu quem compartilhava essas aras de bem comer e até, às vezes, a confecção com a ti Mari Rainha. Outros tempos. Mais ainda: nenhum de vós alguma vez comeu pão ázimo com fiambre e vinho branco de missa... é o cúmulo. Se um dia vos calhar essa oportunidade, provai e depois contai-me. A pena é que já não há fiambre como antigamente e menos ainda vinho branco arinto. Vai lá vai...
Bom, a Casa Campos não faliu, mas os tempos mudaram e o padre Pinto - de boa memória - encomendou o vinho ao Talha Burricos, esse mesmo que queria o gás logo às seis da matina.
A casa dela não era longe e nem precisava de levar o mais que famoso carro quadrado. Ajudava-me à bilha do gás, punha-a ao ombro e ALA!, batia ao portão, Talha Burricos aparecia prestes, entrava pelo quintalinho, sempre pejado de mato por mor dos agueiros não atolarem, subia quatro degraus e entrava na cozinha. Já a panelinha de ferro cozia o feijão pequeno das Taliscas e o ambiente estava amornado pela lenha de carvalho arrecadada em tempo e agora a dar um jeitão. Lá ajustava eu a bilha ao redutor, experimentava a ver se tudo estava nos conformes e: "pronto, já está, bom dia e até logo". Logo O Talha burricos atalhava: «onde vais com tanta pressa...? espera aí um pouco» e para a ti Strudes (Gertrudes): « Eh mocita, arranja aí um aboquilho e leva-nos à loja.» Não tardava lá vinha o belo casqueiro embrulhado em bragal de primeira em cesto de vime e uma bandeja com uma tora de presunto, uma malga de azeitona retalhada, um queijo cabreiro num prato de esmalte e, uma vez até me calhou que havia castanhas assadas, já descascadas.
Sai-se o Talha:« Toma tento no que digo! se o queres tornar a provar tens que manter o bico fechado...» eu fiquei a olhar e ele: « vamos a provar o vinho de missa , mas no te esqueças, bico calado». O pipo não tinha torneira, deitou aguardente para desinfectar a borracha, como lhe chamava, sorveu para um pucheiro e vasou para uns copos de alumínio que até reluziam de tão areados. « Vá, bebe!» meti uma azeitona, tirei o caroço e vou-me ao néctar. Aquilo ainda não estava consagrado mas já era sacro. Que pinga de estalo! «Anda lá corta aí uma fatia de pão e um naco de abequilho que hás-de beber um copo assim comédado!» A hora era boa, a fome melhor, o branco convidava e o aboquilho era de ginjas: ataquei... Mais um alumínio e um estalo: " oh ti Tonho, este inda é melhor do que o da Casa Campos! " « É pra que vejas que eu num faço batota... isto é o sumo da uva puro, nem uma gota de água. É assim que querem é assim que têm.» Lá lhe expliquei a razão de ser daquela exigência e bebemos ainda mais uma cartolinha.
Passado não muito tempo voltei à loja e já o pipo tinha torneira. Havia mais gente que sabia que o vinho de missa lhe tinha sido encomendado e desafiaram o Talha Burricos: 'Ó ti Tonho. dê-nos lá a provar o vinho do padre!' «Eh cachopos, eu até vos dava um provo, mas o vinho é tão bom qinté coalhou com'ó azeite: experimenta a ver se já corre alguma coisa...» Lá ia um mais lampeiro a ver se tinha sorte, mas nada. « Vês!? coalhou!» Eu caladinho como um rato, saí com eles mas depressa voltei: "como é essa do vinho coalhar"? « Aprende que eu não duro sempre: o vinho já está ali em barricas, tirei-o todo por cima e meti a torneira a fazer ver. Se não fosse assim, só com os provos já se me tinha ido. » Vai lá vai! porque é que o diabo sabe muito? porque é velho, respondem os entendidos.
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Terça-feira, Dezembro 01, 2009

A NOSSA FALADURA - CXLV - MORRINHA

Água de cuco só molha quem está enxuto, já dizia o velho comandante, que, mesmo com morrinha não deixava de colher azeitona. Era velho dum raio: nada o vergava, nem frio nem calor, nem fome, nem sede, nem doença, nem pão rijo, nem morcela já rançosa. O queijo, seu conduto preferido, deixava-o embrulhado em folha de botelha, no meio do arcaz da semente e, como não lhe punha indicativo, sempre que precisava dum, praguejava por céu e terra, a ponto da velha Pássara (era a parteira oficial de toda a aldeia - foi ela que me foi buscar ao Fundão) vir ao balcão da casa contígua a barafustar: "num viesse um raio que queimasse a língua, comandante do inferno! Já lá tens o lugar guardado" « Vá pra quem a lambeu, velha dum corno» O azedume era notório, mas mal ela precisasse dum chirrichichi de azeite, ou uma brasinha pra atear o lume de manhã, ou um golo de aguardente para matar a bicheza e desinfectar um dente que escarafunchava com um pau de travisco aguçado e lhe doía,..., logo a Pássara batia à porta do velho Comandante.
Não longe morava a velha Nazaréi, mãe de Zé Lopes, enxertador de nomeada, lagareiro afamado e angariador de povo para excursões a tudo quanto fosse visitável: Srª de Fátima, santa de Alenquer, capela dos ossos, Viana do Castelo, Gerês, Nazaré ... e mais caseirinho, a Srª do Incenso, do Bom Sucesso, do Almortão e da Póvoa, que sei eu, Santa Luzia do Castelejo, Serra da Estrela, barragem Castelo do Bode,..., nada lhe escapava.
Aos Domingos, depois de missa, lá andava ele de tasca em tasca, da Rosa ao Zé Rolo, do Chico ao Fatela, deste ao Cavalheiro, vinha ao adro, especava-se na estrada, sempre de livreta na mão, pronto a assentar o nome e a indicar o lugar na camioneta. A meio da tarde já não dizia coisa com coisa e não se cansava de apregoar as suas competências, que não havia na área enxertador como ele e que se às vezes lhe falhava uma enxertia, a culpa era do cobridor que não tinha cuidado e lhe desandava a pua que ele ajustara com a sua própria saliva depois de aguçada com um só corte da sua navalha enxertadeira, de tachas em freixo que ele próprio fizera, e que até fazia a barba aos pêlos das pernas de uma cachopa.
Já que se fala em enxertadores, é dever de xendro nomear o velho Cucharra, homem pesado, que já mal conheci, mas que a partir de meados de Fevereiro não descansava um dia a espalhar arintos, rufetes, rabos de ovelha, baldrões, ferrais, dedo de dama, uva formosa, moscatel e outras castas. Uma bomba, este Cucharra. Era capaz de andar, um dia a cavalo noutro, sem nunca se endireitar, sempre curvado a fazer finco nas cruzes, sem se queixar. Comia uma quarta de feijão frade com cebola e muito azeite, e um galo dos grandes, daqueles das bodas, não lhe fazia papo. Valente Cucharra: o nome advinha-lhe do facto de ter a mão encurranchada por mor de uma cortadela feita pela enxertadeira. Ia até aos Três Povos a sua fama, para Norte, e Alcafozes e Idanha-a-Velha ainda hoje têm vinha de enxerto do velho Cucharra.
Voltemos ao Zé Lopes e às suas excursões...
Duma vez tem uma ideia genial: queria comprar mais uma tapada limítrofe da sua na fonte salgueira e o dinheiro era curto.
Vai daí, andou dois meses a guardar garrafões de plástico vazios- inda eu lhe levei muitos -.
A excursão era à Nazaré. Encheu o fundo da camioneta com os garrafões e, a meio da viagem, começa a cair uma morrinha chata, miudinha, basta quanto bastasse.
Zé Lopes tinha-a fisgada e desde cedo começa a dizer que ninguém podia ir ao mar porque a água estava a ser analisada porque era do melhor que havia para o reumatismo. Ele tinha acautelado o caso e tinha escrito um postal ao Presidente da Junta da Nazaré que o autorizou a encher 100 garrafões de água do mar , mas cada um custaria 5$00.
Quem sofresse de reumatismo tinha que largar os tais 5$00, mas só ele é que podia ir encher os garrafões.
Assim foi. Os garrafões tiveram venda garantida e Zé Lopes lá angariou mais 500$00 de lucro, às abas da água salgada do Atlântico, que eram uma boa ajuda para a compra da Tapada.
E o caso ficou ainda mais sério e a veracidade do diagnóstico reumatismal foi exponenciado quando Manta-Rota, seu sucessor nestas andanças excursionistas, que entretanto tinha espetado uma sorna, devido aos etílicos, lança os olhos ao mar e exclama:« A água há-de ser mesmo boa para o reumatismo... Olhar além... inda há bocadinho a água chegava ao cimo do paredão e agora já vai ao fundo. Os gajos têm-se fartado de vender água» Todos olharam e confirmaram.
Zé Lopes asseverou: "Só lá apanha água quem tiver ordem, mainada". A morrinha recomeçou e até à aldeia ninguém falava doutra coisa senão do jeito do Zé Lopes para aquelas lides.
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Quarta-feira, Novembro 11, 2009

UMA ESCRITA QUE DÁ GOSTO

Aqui no Baságueda gostamos de uma boa história embrulhada numa boa escrita.

A que se segue foi importada, mas preenche os requisitos.




Carta dirigida pelo Dr Frederico de Moura, Médico e Historiador de Vagos, ao Dr Nogueira Lemos, Médico Cirurgião de Aveiro


Meu caro Lemos

É coisa axiomática que o pénis não obedece a freio; e é coisa de esperar que a natureza o tenha dado a animal que lhe não obedece. Mas como a esta estuporada profissão que exercemos só aparecem anormalidades, aberrações e coisas em desacordo com a natureza, surgiu-me hoje no consultório esse rapazinho que lhe envio, com um freio de tal dureza e de tal conformação que o insubmisso pénis tradicionalmente indomável, não teve outro remédio senão ceder. Calcule os mistérios e os paradoxos desta ladina natureza! Esse moço, na casa dos vinte anos com uns corpos cavernosos que devem estar isentos de qualquer obstrução, e concerteza dispondo de uma libido afinada capaz de lhe fazer sair, erecto, o próprio umbigo, resolve ir para o casamento com os seus (dele) três vinténs e confirma, então a suspeita que já tinha, de que no auge da metálica erecção, o pénis fica em crossa como o báculo de um bispo, por incapacidade de vencer a brevidade e a dureza do freio que lho verga para a terra. Calculará o meu prezado Lemos, as acrobacias de alcova que este desgraçado terá de realizar para conseguir a penetração de um membro viril, quase tão torto como uma ferradura, na vagina suplicante da consorte.

De modo que o rapazinho veio pedir-me socorro, e eu condoído peço-lhe a sua colaboração em favor da harmonia conjugal, com a certeza de que por isso ninguém nos irá acoimar de chegadores. Condoa-se a cirurgia de braço dado com a medicina que, por intermédio deste fraco servidor que eu sou, já se condoeu e endireitemos o pénis torto (e nada de confusões, que não é mole pelo que me afirma o proprietário). Lembremo-nos, sobretudo, ao praticarmos esta obra, que vem aí um tempo em que um pénis destes, mesmo em arco ou em forma de saca-rolhas, nos fariam um jeitão, e ajudemos o pobre rapaz que se compromete comigo a fazer bom uso dele, emprenhando a mulher da primeira vez que o usar, depois da operação ortomórfica que o meu amigo lhe vai fazer sem sombra de dúvida.

Desculpe mandar-lhe desta vez uma tarefa fálica! Ouvi uma mulher um dia dizer que um Phallus é um excelente amuleto e que dá sorte verdadeira. Se quiser tirar a prova não tem mais que endireitá-lo… e jogar a seguir na lotaria. Desculpe, pois, a remessa de bicho tão metediço que eu por mim prometo, logo que possa, e em compensação, mandar-lhe uma vulva virgem inacarada como uma concha de madrepérola.

Um abraço do seu amigo certo

Frederico de Moura



PS: Como a minha letra é muito má segundo a sua opinião, e como o assunto desta carta é muito importante para duas pessoas, uma das quais do sexo fraco, entendi do meu dever dactilografá-la. Assim, não haverá nenhuma razão para o meu amigo dizer que não entendeu o que eu queria e, por partida, deixar o aparelho na mesma ou pior, ao rapaz.

Quero ainda dizer-lhe que para sua compensação, tenciono depois do êxito que o seu ferro cirúrgico vai alcançar comunicar o seu nome à mulher beneficiada que, por certo, lhe ficará eternamente grata, ficando sempre com a sua pessoa presente na memória nos momentos – e oxalá que sejam muitos! – em que se sentir penetrada por um pénis que só o meu amigo conseguiu endireitar. E nem sei se o Estado virá louvar a sua acção, se lhe for dado conhecimento que os filhos que saírem daquele casal são devidos em grande parte não ao seu pénis mas, sem dúvida, à sua mão.

E filhos com a mão nem toda a gente se poderá gabar de os fazer!

Creia-me seu afeiçoado, Frederico
27/03/1958


Quinta-feira, Outubro 29, 2009

A NOSSA FALADURA - CXLIV - DESANDADOR

Quando ouvi pela primeira vez A CARTA, com letra do João Monge, cantada pelos Resistência, lembrei-me de quantas vezes, também eu, ao fundo das escadas, sob as quais meu pai fizera uma tarimba para eu dormir, escrevi, aos Domingos, depois de missa e almoço, cartas muito semelhantes àquela.
O analfabetismo era um facto indesmentível, em elevada percentagem, o telefone era caro e lento e a carta era mais barata e os correios nem por isso eram muito demorados.
Poucos mais, na aldeia, cumpriam graciosamente com este mister de mandar e pedir novas dos entes queridos. Mais ainda dos famosos aerogramas que a guerra do ex ultramar também levou muitos xendros; até para Índia com o brigadeiro Leitão e Timor.
Um desses era o ti Emídio, cuja caligrafia , quando não estava borrachinho de todo, era um regalo; a outra era a ti Ermelinda, ali em frente da Lameira, mulher seca e espevitada, mexida que nem bicho da madeira, rija até mais não e de um asseio mais que sacro. O seu tinteiro de tinta, de cerâmica, branquinho, completo como só em museu voltei a ver, brilhava quase às escuras, tal a alvura com que sempre o mantinha. O aparo da caneta era lavadinho ao fim de cada desempenho e o pau que o sustinha era envolto num paninho, também ele branco de neve e repousavam todos, até próxima chamada, numa mesinha rectangular pintada de castanho e com uma toalha bordada, onde também, quando lhe calhava a vez, ficava o tríptico da Sagrada Família com a impecável lamparina de azeite sobre água, em gamela de vidro trabalhado, e sobre o qual flutuavam uma latinha triangular com as pontas espetadas em bóias de cortiça e a flor geminada, sempre acesa.
A casinha onde morava tinha uma loja que durante o Verão era bastante usada, primeiro porque vinham os cunhados de Lisboa e depois porque era muito mais fresca. Durante todo o ano, pelo menos uma vez por semana, lhe fazia uma barrela geral. Não raro, quando lhe ia a levar gás cheirava a lixívia purificante.
Foi numa dessas vezes em que lhe levei gás que ouvi pela primeira vez dois termos : estampilha (referindo-se a um selo de carta e não a uma bofetada que era o significado que eu lhe atribuía) e DESANDADOR.
Depois de ter retirado a bilha vazia e de ter submetido ao famoso click das garrafas Mobil, notei que cheirava a gás. Perguntei-lhe se não tinha já cheirado a gás, respondeu que sim, tirei o redutor e percorri o tubo: estava gretado e havia uma fuga. Comecei a tentar desenroscar a abraçadeira com uma faca, ela viu:"ESPERA AÍ QUE JÁ VOU POR UM DESANDADOR QUE É MELHOR DO QUE A FACA, NÃO TE CORTES!" E foi e veio com o desandador: uma chave de fendas. Ora aí está. A palavra não é onomatopaica, a função é: aquilo serve mesmo para fazer desandar. Registei e aqui vos fica.
Por esta altura do ano, sozinha ia colher a azeitona para a talha e, quando a colheita era muita vendia alguma. Ainda lhe comprei. Foi numa dessas vezes que eu, a brincar apostei com ela como num cesto eu era capaz de identificar dez azeitonas da mesma oliveira. Ela olhou para mim, e riu: és mai engraçado có teu pai". E eu:´« é verdade, pode acreditar» "pesa lá mas é a azeitona que eu não tenho vida para ouvir tontarias".
Acontece que eu, ao mudar a azeitona do cesto onde as tinha para uma caixa de plástico, vi um ramo de azeitonas para aí com umas dez...
«O Ti Ermelinda, vomecê não acredita que eu sou capaz de saber que dez azeitonas desta caixa são de certezinha da mesma oliveira, mas eu provo-lhe que é verdade» . Aí ela especou: "atão mostra lá" . Meti a mão agarrei o raminho e mostrei: «são ou não são da mesma oliveira?» " um raio ta palira, cachopo!" Meteu a mão ao bolso e: "Toma lá pela lição" Vinte e cinco tostões: uma fortuna. Fui direitinho ao Cavalheiro e papei um chocolate da Regina com uma Laranjina C.
Outros tempos, outras vivências, outros termos, outras marcas, outras histórias.
E a vós sempre vos digo que aquelas azeitonas só estavam seguras de um lado....
XXXXXXXXXXXXXXIIIIIIIIIIII GGGGGGGGGGGGGGRRRRRAAANNNNNDDDDDDDDDEE

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